quarta-feira, 21 de abril de 2010

Inanimada exaltação

Se seus braços encobertos pelo áspero tecido me abraçam inconvenientes...

A perdoe, ela não faz por mal!

Se sua volúpia minuciosa atira-se entre o espaço envolvente que nos compete...

A perdoe, ela não faz por mal!

Se o modesto frigir de sua boca entreaberta faz regalar qualquer interesse...

A perdoe, ela não faz por mal!

Se seu intelígivel peso reconforta-se sobre seu suntuoso colo acolhedor...

A perdoe, ela não faz por mal!

Se no voo  solar suas rédeas encantadas rebatem contra o vento...

A perdoe, ela não faz por mal!

Se sua vastidão pomposa provoca a distancia que faz calar...

A perdoe, ela não faz por mal!

Se no caminho do beijo ela se põe sinuosa numa vontade não intencional...

A perdoe, ela não faz por mal! (Jean Ramalho)

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